cidade de brasília

Como ponto de partida do projeto para Brasília escolhemos a própria planta da cidade; um olhar atento sobre o eixo monumental bota em evidência sua estrutura: suas duas escalas, suas duas dimensões do urbano. Convivem, em seu território, o monumental do traçado do arquiteto e o espontâneo que se constrói pela dinâmica do cotidiano no espaço. Essa dicotomia foi o que guiou o projeto. Observando, em uma imagem aérea, as lâminas dos prédios dos ministérios e o imenso gramado que se estende entre eles, podemos ver, cortando a ortogonalidade do eixo, caminhos muito mais estreitos, e por vezes curvos, gravados no chão por uma contínua travessia de pedestres. Essa situação acontece não só no eixo monumental mas também, por exemplo, nos miolos das superquadras. A tradução dessa questão macro da arquitetura da cidade para a linguagem gráfica se fez na esfera mais micro do design: a tipografia. Partimos do mapa para desenhar a letra, criando uma relação onde base e topo, altura de x e hastes seguem, respectivamente, a proporção entre os edifícios públicos dos ministérios, o vazio do eixo monumental e os caminhos que o cruzam. Enquanto base e topo assumem um aspecto monolítico e ortogonal da arquitetura, as hastes, por sua vez, fazem a função de conectores com a leveza e a liberdade das curvas desenhadas pelo caminhar do homem no território. Assim, as duas escalas da cidade não só ficam evidentes no traçado das letras, como a junção dessas letras formando palavras desenha o vazio do eixo monumental. A família tipográfica criada, além de trazer em si essa representação da cidade, traz também a referência ao desenho modular de grelha do moderno, sendo monoespaçada, com um entreletra do mesmo tamanho do entrelinha e, com isso, formando um grid regular, que funcionará como base para a construção da comunicação da marca. O fato da nossa proposta apresentar não só uma marca, mas sim uma família tipográfica completa, permite que quem tenha essa fonte em mãos consiga gerar a marca da forma mais simples possível. Além disso, apresenta de forma consistente a estrutura necessária para possíveis submarcas debaixo desse guarda chuva da marca ‘Brasília’, criando um sistema único de identidade visual. As aplicações da marca seguem também o jogo dinâmico entre as duas escalas: enquanto o “cotidiano” está no desenho da tipografia, a urbs está no grid que determina o espaço e a posição precisa de cada letra. Essa dependência entre as duas escalas se alterna criando uma dinâmica que constrói o universo da marca. A tipografia define o grid que, por sua vez, determina a posição e dimensão de todas as letras, enquanto o conjunto das oito letras de “Brasília” (a marca em sua forma horizontal) é o que determina a escala em que o grid será aplicado em cada superfície. O conjunto dessas orientações busca então facilitar a aplicação da marca e garantir consistência entre todas os seus pontos de contato. Finalmente, acreditamos que a marca aqui apresentada seja não só um reflexo das dinâmicas da cidade a partir de suas diferentes escalas, mas também uma marca que aponta para o futuro de uma cidade plural, de uma capital viva, que se constrói e se transforma em uma Brasília que existe para além do simbólico.

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mês/ano

08/17

cliente

tipografia

colaboradores

ralph mayer, nina farkas

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